sábado, 27 de agosto de 2016

No AC, atrizes ficam nuas em praça para discutir objetificação da mulher

(G1)                     (Foto: Evânia Ferraz/Arquivo pessoal)
Para protestar e incitar a discussão sobre a violência contra a mulher, integrantes do Grupo Teatral Orejanas ficaram nuas com apenas códigos de barras e símbolos da Amazônia cobrindo os seios e as partes íntimas. A perfomace foi realizada na tarde desta sexta-feira (26), no Centro de Rio Branco. As atrizes são alunas do 8º período do curso de artes cênicas, na Universidade Federal do Acre (Ufac).

Por um período de 15 minutos, as atrizes ficaram expostas como em uma 'vitrine' para as pessoas que passavam pelo local. As alunas colocaram ainda um banner com os 'preços' de algumas partes do corpo feminino.
"Traz a discussão da mulher vista como mercadoria na sociedade, que é banalizada pelo pensamento masculino, como um objeto. A proposta é essa, de as pessoas passarem, olharem e a gente ver a reação delas. Uns riem, outros comentam como se fôssemos banais e realmente objetos", comentou a estudante Amanda Graciele, de 28 anos.
O nome da performance, Corpos-Peças, também é, segundo Amanda, uma crítica aos padrões estéticos de beleza que são, por vezes, impostos às mulheres.  "É uma crítica por essa obsessão de seguir um padrão, de uma beleza que nos é imposta pela mídia, propaganda. Que exclui corpos tal qual são, com suas gorduras, celulites, estrias ou ausência de peitos siliconizados", explica Amanda.
Amanda diz ainda que no ato não estão personagens, mas apenas as alunas com suas histórias e bagagens de vida e experiências. Ao final do ato, as jovens retiram um selo da boca e gritam palavras de ordem. Durante a apresentação, as atrizes não usam nenhum efeite, maquiagem ou joias.
"Somos totalmentes expostas em prol dessa situação, dessa mulher que é banalizada na contemporaneidade. Essa mulher que sofre abuso, violência sexual dentro de casa, nas universidades, mas é silenciada. E quanto retiramos o código de barras e gritamos 'não somos mercadoria', é a hora que darmos voz a essas mulheres que estão oprimidas pelo próprio sistema patriarcal", comenta.
Chamadas de prostituta
Já a atriz Marianne Salomão, de 22 anos, diz que essa é segunda vez que o grupo apresenta a performance na capital acreana, porém, as alunas já viajaram em turnê para alguns municípios do interior do estado com o número.

A jovem ressalta que a ideia é discutir e inquietar as pessoas sobre a sociedade machista ainda existente no mundo. "Você passa na rua e o 'cara' se acha no direito de passar a mão", ressalta a jovem.  Ainda de acordo com a aluna, nem todos entendem ou veem o ato como um protesto. As alunas afirmam que já sofreram preconceito e foram chamadas até de prostituta durante as apresentações.
"Teve uma menina que passou hoje [sexta, 26] por nós e aplaudiu. Tem gente que passa e diz que é falta de sexo, que queremos aparecer. Mas tem aquelas pessoas que aplaudem, compram a causa mesmo", conclui.
Ao final da apresentação, as alunas tiram o código de barras da boca e gritam uma palavra de ordem (Foto: Evâna Ferraz/Arquivo pessoal)Ao final da apresentação, as alunas tiram o código de barras da boca e gritam uma palavra de ordem (Foto: Evâna Ferraz/Arquivo pessoal)
Grupo Orejanas
O grupo, inicialmente montado por seis integrantes, existe há 3 anos e é composto pelas estudantes Amanda Graciele, Marianne Salomão, Mara Santos e Alexandra Alves. Conforme Amanda, a companhia surgiu dentro da universidade a partir de experimentos realizados nas disciplinas do curso. Atualmente o grupo tem cinco integrantes.
A companhia tem ainda as performances O Banho, Frida In Fases, Cor da Pele, Mulheres, Vertigem e Mulheres de Etiqueta. As integrantes são produtoras, cantoras e bailarinas.  (LINK DA POSTAGEM:http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2016/08/no-ac-atrizes-ficam-nuas-em-praca-para-discutir-objetificacao-da-mulher.html

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